Erva Daninha Iniciativa Anti-Domesticação



Segunda-feira, Dezembro 05, 2011 :::


Fim da história

"Então, ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: ‘Conheça ao Senhor’,
porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior", diz o Senhor.

Jeremias 31:34





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -5:09 PM



Sexta-feira, Junho 10, 2011 :::

"Os Homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha
e sim sob aquelas com as que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.
A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos"


Karl Marx - O 18 de Brumário de Luis Bonaparte




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:47 PM



Segunda-feira, Maio 30, 2011 :::


sinopse:

As cidades, por natureza, obedecendo sempre a circulação da produção e mercadoria, formam dutos pelos quais os elementos vitais do fenomeno urbano circulam e o nutrem.
Pessoas, elemento que aplica a transformação, contribuem com a habilidade e destreza. constituindo mais um elemento a circular nos dutos.





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -6:18 PM



Quarta-feira, Fevereiro 02, 2011 :::

Redenção e Utopia (II)

"As crenças messiânicas numa regeneração final do mundo revelam também uma atitude anti-histórica.
Como não pode continuar a ignorar ou a abolir periodicamente a historia, o Hebreu aceita-a na esperança de que ela acabará definitivamente num momento mais ou menos longínquo.
A irreversibilidade dos acontecimentos históricos e do tempo é compensada pela limitação da história no tempo. No horizonte espiritual messiânico, a resistência à historia surge como sendo mais firme do que no horizonte tradicional dos arquétipos e das repetições; se, aqui, a história era recusada, ignorada ou abolida pela repetição periódica da Criação e pela regeneração periódica do tempo, na concepção messiânica a história tem de ser aceita porque possui uma função escatológica, mas ela só pode ser aceita porque se sabe que cessará um dia.
A historia é pois abolida, não pela consciência de viver um eterno presente (coincidência com o instante a-temporal da revelação dos arquetipos) nem através de um ritual repetido periódicamente (por exemplo, os ritos do princípio do ano, etc), mas abolida no futuro.
A regeneração periódica da Criação é subsitituida por uma regeneração única que acontecerá num illo tempore futuro. Mas a vondade de acabar com a história de um modo definitivo é ainda uma atitude anti-histórica, tal como as outras concepções tradicionais."

Mircea Eliade, O Mito do Eterno Retorno





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:26 PM



Segunda-feira, Janeiro 31, 2011 :::


"És tu que atas os laços das Plêiades,
ou que desatas as correntes do Órion?"

"Pergunta, pois, aos animais e eles te ensinarão;
às aves do céu e elas te instruirão.
Fala aos répteis da terra, e eles te responderão,
e aos peixes do mar, e eles te darão lições.

Entre todos esses seres quem não sabe que a mão de Deus fez tudo isso,
ele que tem em mãos a alma de tudo o que vive, e o sopro de vida de todos os humanos?"

(Respectivamente, Jó 38:31; 12:7-8)




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -8:41 PM



Quinta-feira, Julho 29, 2010 :::

Redenção e Utopia



E agora conhecem o bem e o mal, e sentem vergonha de seus corpos. Adão e Eva se tornaram adultos

Jesus no evangelho segundo Tomé disse que somente quando tirarmos nossas roupas sem sentirmos vergonha e pisarmos em cima delas como crianças entraremos no Reino de Deus.
Não haverá medo...




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:16 AM



Segunda-feira, Julho 12, 2010 :::

Relembrarei agora as obras do Senhor, proclamarei o que vi.
Pelas palavras do Senhor foram produzidas as suas obras.
O sol contempla todas as coisas que ilumina;
a obra do Senhor está cheia de sua glória.
Porventura não fez o Senhor
com que seus santos proclamassem todas as suas maravilhas,
maravilhas que ele, o Senhor todo-poderoso, consolidou,
a fim de que subsistam para a sua glória?
Ele sonda o abismo e o coração humano,
e penetra os seus pensamentos mais sutis,
pois o Senhor conhece tudo o que se pode saber.
Ele vê os sinais dos tempos futuros,
anuncia o passado e o porvir,
descobre os vestígios das coisas ocultas.
Nenhum pensamento lhe escapa,
nenhum fato se esconde a seus olhos.
Ele enalteceu as maravilhas de sua sabedoria,
ele é antes de todos os séculos e será eternamente.
Nada se pode acrescentar ao que ele é, nem nada lhe tirar;
não necessita do conselho de ninguém.
Como são agradáveis as suas obras!
E todavia delas não podemos ver mais que uma centelha.
Essas obras vivem e subsistem para sempre,
e em tudo o que é preciso, todas lhe obedecem.
Todas as coisas existem duas a duas, uma oposta à outra;
ele nada fez que seja defeituoso.
Ele fortaleceu o que cada um tem de bom.
Quem se saciará de ver a glória do Senhor?

O firmamento nas alturas é a sua beleza,
o aspecto do céu é uma visão de glória.
O sol, aparecendo na aurora, anuncia o dia.
A obra do Altíssimo é um instrumento admirável.
Ao meio-dia queima a terra: quem resiste ao seu ardor?
Ele conserva uma fornalha de fogo por efeito de seu calor.
O sol queima três vezes mais as montanhas,
despedindo raios de fogo, cujo resplendor deslumbra os olhos.
Grande é o Senhor que o criou;
por sua ordem, ele apressa o seu curso.

A lua é, em todas as suas fases regulares,
a marca do tempo e o sinal do futuro.
É a lua que determina os dias de festa;
sua luz diminui a partir da lua cheia.
É ela que dá nome ao mês;
sua claridade cresce de modo admirável, até ficar cheia.
É um sinal para os exércitos do céu
que lança no firmamento um glorioso esplendor.

O brilho das estrelas faz a beleza do céu;
o Senhor ilumina o mundo nas alturas.
À palavra do Santo estão prontas para o julgamento:
são indefectivelmente vigilantes.
Observa o arco-íris e bendiz aquele que o fez:
é muito belo no seu resplendor.
Faz a volta do céu num círculo de glória:
são as mãos do Altíssimo que o estendem.

O Senhor com uma ordem faz cair subitamente a neve,
acelera a marcha dos raios de seu juízo.
Por essa causa se abrem as suas reservas,
e voam as nuvens como pássaros.
Por sua grandeza condensa as nuvens,
e as pedras de granizo caem em estilhaços.
As montanhas são abaladas quando ele aparece;
por sua vontade sopra o vento do sul.
O estrondo do trovão fere a terra,
assim como a tempestade do aquilão e o turbilhão dos ventos.
Espalha a neve como pássaros que pousam,
como gafanhotos que se abatem sobre a terra;
o olhar encanta-se com o brilho de sua alvura,
o coração fica atônito ao vê-la cair.

Deus espalha a geada sobre a terra como sal;
quando as águas se congelam tornam-se como pontas de cardo.
Quando sopra o vento frio do aquilão,
a água gela como cristal,
que repousa sobre toda a massa líquida,
e veste as águas como se fosse uma couraça.
(A geada) devora os montes, queima os desertos,
resseca como o fogo tudo o que é verde.
O remédio para isso é o rápido aparecimento de um aguaceiro.
O orvalho após o frio atenua (o rigor do gelo).

A palavra de Deus faz calar o vento;
só com o seu pensar apazigua o abismo,
no meio do qual o Senhor plantou as ilhas.
Os que navegam sobre o mar contam os seus perigos;
ouvindo-os, ficaremos arrebatados de admiração.
Ali se encontram grandes obras e maravilhas,
animais de toda espécie e criaturas monstruosas.
Por ele, tudo tende regularmente para a sua finalidade,
tudo foi disposto conforme a sua palavra.

Diremos muitas coisas, porém faltarão palavras.
Mas o resumo de nosso discurso é este: Ele está em tudo.
Que podemos nós fazer para glorificá-lo?
Pois o Todo-poderoso está acima de todas as suas obras.
O Senhor é terrível e soberanamente grande.
Seu poder é maravilhoso.
Glorificai o Senhor quanto puderdes,
que ele ficará sempre acima, porque é admirável a sua grandeza.
Bendizei o Senhor, exaltai-o com todas as vossas forças,
pois ele está acima de todo louvor.
Enaltecendo-o, reuni todas as vossas forças;
não desanimeis; jamais chegareis (ao fim).
Quem poderá contar o que dele viu?
Quem é capaz de louvá-lo, como ele é, desde os primórdios?
Muitos segredos são maiores que tudo isso;
só vemos um pequeno número de suas obras.
O Senhor fez todas as coisas:
ele dá sabedoria àqueles que vivem com piedade.

Eclesiástico 42:15-26; 43:1-37




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:52 PM



Quarta-feira, Junho 09, 2010 :::


Eis o que diz o Senhor:
respeitai o direito e praticai a justiça,
porque minha salvação não tarda a chegar
e minha justiça a revelar-se.

Feliz do homem que assim se comporta,
e o filho do homem que se atém a isso,
que observa o sábado sem profaná-lo,
e abstém-se de toda má ação.

Que o estrangeiro que deseja afeiçoar-se ao Senhor não diga:
"Certamente o Senhor vai excluir-me de seu povo."
Que o eunuco não diga: "Oh! sou apenas um lenho seco."

Porque eis o que diz o Senhor:
aos eunucos que observarem meus sábados,
que escolherem o que me é agradável,
e se afeiçoarem à minha aliança,

eu darei na minha casa e dentro de minhas muralhas
um monumento e um nome de mais valor que filhos e filhas;
dar-lhes-ei um nome que jamais perecerá.

Quanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor,
para servi-lo e amar seu nome, para serem seus servos,
se observarem o sábado sem profaná-lo,
e se se afeiçoarem à minha aliança,

eu os conduzirei ao meu monte santo
e os cumularei de alegria na minha casa de oração;
seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos sobre meu altar,
pois minha casa chamar-se-á Casa de Orações para todos os povos.

Oráculo do Senhor Deus que reúne os exilados de Israel:
eu lhes agregarei ainda outros
junto aos seus já reunidos.

Isaias 56:1-8




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -2:35 PM



Quarta-feira, Março 31, 2010 :::


Farei para eles, naquele dia, uma aliança com os animais selvagens, as aves do céu e os répteis da terra;
farei desaparecer da terra o arco, a espada e a guerra, e os farei repousar com segurança.
Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura.
Desposar-te-ei com fidelidade, e conhecerás o Senhor.

Oséias 2:18-20





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:53 AM



Segunda-feira, Março 01, 2010 :::





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:20 AM



Quinta-feira, Janeiro 14, 2010 :::


Ouvi a palavra do Senhor, filhos de Israel!
Porque o Senhor está em litígio com os habitantes da terra.
Não há sinceridade nem bondade, nem conhecimento de Deus na terra.
Juram falso, assassinam, roubam, cometem adultério, usam de violência e acumulam homicídio sobre homicídio.
Por isso, a terra está de luto e todos os seus habitantes perecem;
os animais selvagens, as aves do céu, e até mesmo os peixes do mar desaparecem.

Oséias 4





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:04 PM



Domingo, Novembro 22, 2009 :::

texto: Um olhar anarco primitivista na doutrina de Paulo de Tarso
revisado e publicado na Revista Espiritualidade Libertária:

http://espiritualidadelibertaria.wordpress.com



::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:33 PM



texto: Um olhar anarco primitivista na doutrina de Paulo de Tarso
revisado e publicado na Revista Espiritualidade Libertária:

http://espiritualidadelibertaria.wordpress.com



::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:30 PM



Quinta-feira, Novembro 19, 2009 :::





Gálatas

Galatas é a carta de autodenuncia de Paulo. Paulo indica para qual "evangelho" veio.

"De fato, não há dois {evangelhos}: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo.
Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. (Galatas 1 7-8)

"Bom, só existe um poder no céu e na terra que desafiaria amaldiçoar os anjos de Deus. Paulo não só desmascarou a si mesmo, mas o poder que esta por detras de sua missão. em um mesmo folego de tinta, ele amaldiçoou os apostolos, ao Senhor Deus, seus anjos e ministros"

Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (galatas 1-9)"


Fonte: interfaith










::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -10:14 PM



Sexta-feira, Novembro 06, 2009 :::

Paulo, o chato... ja repararam como suas cartas sao maçantes?
Ao ler os Salmos, meu coração esquenta , o mel é doce, sinto cheiros de frutas.
Ao ler Saulo o Paulo, tudo atola, a leitura é tortura, é o reflexo da sua doutrina.
tem traves em suas letras. coleiras para se usar.

A leitura de Tiago, pelo contrário, é uma leitura de ventos macios e vigor , (um campo verde para dar flor).
Aurora contemplada em roupas bonitas e confortáveis.





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:58 PM



Terça-feira, Novembro 03, 2009 :::



Culto do gênio por vaidade
Por Nietzsche

Porque pensamos bem de nós, mas no entanto não esperamos de nós que possamos alguma vez fazer o esboço de uma pintura de Rafael ou uma cena tal como a de um drama de Shakespeare, persuadindo-nos de que a faculdade para isso é maravilhosa, acima de todas as medidas um raríssimo acaso, ou, se ainda temos sentimento religioso, uma graça do alto. Assim, nossa vaidade, nosso amor-próprio, propiciam o culto do gênio: pois somento quando este é pensado bem longe de nós, como um miraculum, ele não fere (mesmo Goethe, o sem inveja, denominava Shakespeare sua estrela da altura mais longínqua; a propósito do que, se poderia lembrar o verso: “As estrelas, essas não se desejam“). Mas, sem levar em conta essas insinuações de nossa vaidade, a atividade do gênio não aparece de modo algum como algo fundamentalmente diferente da atividade do inventor mecânico, do erudito em astronomia ou história, do mestre de tática. Todas essas atividades se explicam quando se tem em mente homens cujo pensar é ativo em uma direção, que utilizam tudo como material, que sempre consideram sua vida interior e a de outros com empenho, que por toda parte vêem modelos, estímulos, que nunca se cansam de combinar seus meios. O gênio também nada faz a não ser aprender, primeiro, a pôr pedras, em seguida a edificar, procurar sempre pôr material e sempre modelar nele. Toda atividade do homem é complicada até o miraculoso, não somente a do gênio: mas nenhuma é um “milagre”. – De onde então a crença de que somente em artistas, oradores e filósofos há gênio? De que somente eles têm “intuição”? (com o que se atribui a eles uma espécie de óculos milagrosos com que vêem diretamente dentro da essência!). Os homens, evidentemente, só falam do gênio ali onde os efeitos do grande intelecto lhes são mais agradáveis, e eles, por sua vez, não querem sentir inveja. Denominar alguém “divino” quer dizer: “aqui não precisamos rivalizar”. Depois: tudo que está pronto, perfeito, é admirado, tudo o que vem a ser é subestimado. Ora, ninguém pode ver, na obra do artista, como ela veio a ser; essa é sua vantagem, pois por toda parte onde se pode ver o vir-a-ser há um certo arrefecimento. A arte consumada da exposição repele todo pensamento do vir-a-ser; tiraniza como perfeição presente. Por isso os artistas da exposição são considerados geniais por excelência, mas não os homens de ciência. Em verdade, aquela estima e esta subestimação são apenas uma infantilidade da razão.




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:46 PM



Sexta-feira, Outubro 23, 2009 :::


Salmos 103 (104 hebreus)


Bendize, ó minha alma, o Senhor! Senhor, meu Deus, vós sois imensamente grande! De majestade e esplendor vos revestis,
envolvido de luz como de um manto. Vós estendestes o céu qual pavilhão,
acima das águas fixastes vossa morada. De nuvens fazeis vosso carro, andais nas asas do vento;
fazeis dos ventos os vossos mensageiros, e dos flamejantes relâmpagos vossos ministros.
Fundastes a terra em bases sólidas que são eternamente inabaláveis.
Vós a tínheis coberto com o manto do oceano, as águas ultrapassavam as montanhas.
Mas à vossa ameaça elas se afastaram, ao estrondo de vosso trovão estremeceram.
Elevaram-se as montanhas, sulcaram-se os vales nos lugares que vós lhes destinastes.
Estabelecestes os limites, que elas não hão de ultrapassar, para que não mais tornem a cobrir a terra.
Mandastes as fontes correr em riachos, que serpeiam por entre os montes.
Ali vão beber os animais dos campos, neles matam a sede os asnos selvagens.
Os pássaros do céu vêm aninhar em suas margens, e cantam entre as folhagens.
Do alto de vossas moradas derramais a chuva nas montanhas, do fruto de vossas obras se farta a terra.
Fazeis brotar a relva para o gado, e plantas úteis ao homem, para que da terra possa extrair o pão
e o vinho que alegra o coração do homem, o óleo que lhe faz brilhar o rosto e o pão que lhe sustenta as forças.
As árvores do Senhor são cheias de seiva, assim como os cedros do Líbano que ele plantou.
Lá constroem as aves os seus ninhos, nos ciprestes a cegonha tem sua casa.
Os altos montes dão abrigo às cabras, e os rochedos aos arganazes.
Fizestes a lua para indicar os tempos; o sol conhece a hora de se pôr.
Mal estendeis as trevas e já se faz noite, entram a rondar os animais das selvas.
Rugem os leõezinhos por sua presa, e pedem a Deus o seu sustento.
Mas se retiram ao raiar do sol, e vão se deitar em seus covis.
É então que o homem sai para o trabalho, e moureja até o entardecer.
Ó Senhor, quão variadas são as vossas obras! Feitas, todas, com sabedoria, a terra está cheia das coisas que criastes.
Eis o mar, imenso e vasto, onde, sem conta, se agitam animais grandes e pequenos.
Nele navegam as naus e o Leviatã que criastes para brincar nas ondas.
Todos esses seres esperam de vós que lhes deis de comer em seu tempo.
Vós lhes dais e eles o recolhem; abris a mão, e se fartam de bens.
Se desviais o rosto, eles se perturbam; se lhes retirais o sopro, expiram e voltam ao pó donde saíram.
Se enviais, porém, o vosso sopro, eles revivem e renovais a face da terra.
Ao Senhor, glória eterna; alegre-se o Senhor em suas obras!
Ele, cujo olhar basta para fazer tremer a terra, e cujo contato inflama as montanhas.
Enquanto viver, cantarei à glória do Senhor, salmodiarei ao meu Deus enquanto existir.
Possam minhas palavras lhe ser agradáveis! Minha única alegria se encontra no Senhor.
Sejam tirados da terra os pecadores e doravante desapareçam os ímpios. Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Aleluia.





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:39 PM



Sexta-feira, Setembro 11, 2009 :::



As Conseqüências da Domesticação e do Sedentarismo
Por Emily A. Schultz e Robert H. Lavenda

O sedentarismo e a domesticação, separados e juntos, transformaram a vida humana em proporções que ainda nos afetam atualmente.

"Nossa terra"
Sedentarismo e domesticação não representam apenas uma mudança tecnológica, mas uma mudança do modo de ver o mundo. A terra não é mais um bem livre, disponível para qualquer um, com recursos espalhados aleatoriamente pela paisagem; A terra foi transformada em territórios particulares, sendo possuída coletiva ou individual, onde as pessoas cultivaram cereais e animais. Portanto, o sedentarismo juntamente com um alto nível de extração de recursos (seja pela coleta ou pela agricultura) leva os conceitos de propriedades que por sua vez eram raros em sociedades coletoras nômades. Cavernas, habitações permanentes, equipamentos de processamento de grãos, assim como as plantações e o gado, conectou pessoas a lugares. O impacto humano no ambiente foi grande e ainda mais obvio depois do sedentarismo e do surgimento da agricultura; as pessoas transformaram o ambiente da maneira mais dramática possível - construindo plataformas ou muros para se proteger de inundações.

Fertilidade, sedentarismo e dieta
Um dos efeitos mais dramáticos do sedentarismo foi a mudança na fertilidade feminina e o aumento populacional. Um numero de diferentes efeitos, juntos, estimulou o crescimento populacional.

O Espaço de tempo entre duas gestações
Entre os coletores-caçadores atuais, a gestação de uma mulher tende a ter um espaço de três a quatro anos, devido ao extenso período de amamentação , característico destas sociedades. Extenso período de gestação não significa que a criança deixa de amamentar aos três ou quatro anos de idade, significa que as crianças amamentam sempre quando tem vontade, frequentemente muitas vezes durante uma hora (Shostak 1981,67). Esta amamentação estimula a produção de um hormônio que anula a ovulação (Henry 1989, 41)
Henry coloca que "O significado de adaptação de tal mecanismo é obvio num contexto de coleta e mobilidade. Uma única criança, que deve ser carregada por alguns 3 ou 4 anos, cria uma pesada responsabilidade para a mãe, uma secunda ou terceira criança num intervalo de tempo poderia criar um difícil problema para ela e também colocar a sua saúde em risco.”

Existem muitas razões para que a amamentação continue por durante três ou quatro anos em sociedades de coletores e caçadores. A sua dieta é rica em proteína, e baixa em carboidratos, e são poucos os alimentos de fácil digestão para crianças de pouca idade. De fato, Marjorie Shostak observa que entre o povo JU/´hoansi (!Kung), um povo de coletores-caçadores contemporâneos que habitam o deserto de Kalahari, o alimento de vegetação rasteira geralmente é rude e de difícil digestão: "para sobreviver com este alimento a criança deve ter mais de dois anos - preferencialmente com mais idade" (1981, 66). Por ter que amamentar sua criança exclusivamente por seis meses, uma mãe não precisa ter que procurar alimento para a criança como algo a mais em sua rotina comum. Entre os Ju/´hoansi, para crianças acima dos seis meses são dadas alimentos sólidos em forma de comida pré-mastigada ou amassada, um suplemento que inicia a transição aos alimentos sólidos.

A distancia de tempo entre o nascimento de crianças nas sociedades de coletores-caçadores serve para manter mulher um equilíbrio de energia a longo prazo durante seus anos reprodutivos. Em muitas sociedades coletoras-caçadoras, adicionando as necessidades calóricas da amamentação às necessidades físicas da mobilidade, e os cuidados da coleta de alimentos num contexto de uma dieta rica em proteína e pobre em carboidratos podem manter o nível de energia da mãe baixo. Onde as circunstancias nutricionais possuem barreiras, o período de gestação e a amamentação podem constituir uma rede de gasto de energia, resultando numa nítida queda na fertilidade. Em tais circunstancias, irá levar um longo tempo para que a mulher recupere suas condições de fertilidade. Desta forma, o período em que a mulher esteja grávida ou amamentando frequentemente é essencial para construir seu equilíbrio energético para futuros nascimentos.

Mudanças no índice de fertilidade
Em adição aos efeitos da amamentação, Ellison observou, que a idade, condição nutricional, equilíbrio energético, dieta, e exercícios afetam a fertilidade feminina de uma maneira gradual.
Ou seja, exercícios intensos podem levar a perda do ciclo menstrual (amenorréia), porem, menos exercícios intensos pode estimular a fertilidade de maneira significativa.

Estudos recentes em mulheres norte americanas que praticam elevadas quantidade de exercícios pesados (corredoras de longas distancias e jovens bailarinas, por exemplo) demonstram vários reflexos na gestação.
Este dado é relevante para a transição ao sedentarismo, porque os níveis de atividades das mulheres estudadas se aproximam aos níveis de atividades das mulheres em sociedades coletoras-caçadores modernas.

Foram observados dois diferentes tipos de efeitos na fertilidade. Jovens dançarinas de ballet estudadas por Warren (citado em Henry 1989) tiveram sua primeira menstruação em media aos 15 anos, bem mais tarde do que um grupo controle de jovens garotas que não praticavam dança, cuja primeira menstruação ocorreu próximo aos 12 anos. Altos índices de exercícios também parecem afetar o sistema endócrino, reduzindo o tempo durante o qual a mulher fica fértil em até um terço.

Somando os efeitos da vida primitiva na fertilidade feminina, Henry observa:
"Pode parecer então que um numero de fatores inter-relacionados associados com a estratégia de mobilidade das sociedades coletoras são plausíveis em fornecer um controle natural da fertilidade e possivelmente explica a pouca população humana do paleolítico. Em sociedades coletoras nômades, mulheres são passiveis de experimentar longos intervalos de amamentação assim como altos níveis de consumo de energia associado com as atividades de subsistência e mudanças periódicas de acampamento. Adicionalmente , suas dietas, sendo relativamente ricas em proteínas, pode ter contribuído para manter os baixos níveis de gordura, deste modo diminuindo significativamente a fertilidade." (1989, 43)

Com uma coleta cada vez mais complexa e o aumento do sedentarismo, estes freios da fecundidade feminina podem ter sido anulados. A duração do período de amamentação pode ter decaído, assim como o consumo de energia na mulher (uma mulher Ju/´hoansi , por exemplo, anda cerca de 1,500 milhas por ano, carregando equipamentos, alimento coletado, e sua criança pequena). Isto não quer dizer que a vida sedentária seja fisicamente "fácil". A Agricultura requer seu próprio trabalho pesado, ambos do homem e da mulher. A diferença parece ser no tipo de atividade física envolvida. Andar longas distancias, carregar lenha e crianças foi substituído por semear, cavar terra, ceifar, armazenar, e processar os grãos. Uma dieta crescentemente rica em cereais pode ter mudado significativamente a relação entre a proteína e o carboidrato na dieta. Isto mudaria o os níveis de prolactina, aumentando os níveis de energia, levando a um crescimento mais rápido das jovens e a primeira menstruação aparecendo cada vez mais cedo.

A disponibilidade de cereais moídos, pode ter permitido as mães alimentarem suas crianças com um alimento mais macio, mingau rico em carboidrato. A análise de matéria fecal infantil recuperada do sítio arqueológico Wadi Kubbaniya no Egito parece demonstrar que uma prática similar estava em uso ao longo do Nilo, com cultivo de raízes em uma localidade que pode ter sido funcional o ano todo, há 19000 anos (Hillman 1989, 230). A influencia dos cereais na fertilidade foi observado pelo antropólogo Richard Lee nos assentamentos de povos Ju/hoansi , que recentemente começaram a comer cereais e experimentaram um marcante aumento na fertilidade. Renee Pennington (1992) notou que o aumento do sucesso reprodutivo entre os Ju/´hoansi parece estar relacionado com a redução dos índices da mortalidade infantil.

O declínio da qualidade da dieta
Os ocidentais tem visto a agricultura como um avanço evolucionário em relação à coleta, um sinal do progresso humano. Simplesmente, de qualquer modo, os primeiros agricultores não se alimentavam tão bem quanto os coletores. Jared diamond escreveu:

"Enquanto os fazendeiros se concentram em colheitas de alto teor de carboidratos como o arroz e batatas, a mistura de plantas e animais selvagens das dietas dos sobreviventes caçadores-coletores oferecem mais proteína e um melhor equilíbrio de outros nutrientes. Em um estudo, a ingestão média diária de alimento do bosquímano (durante um mês, quando a comida era abundante) era de 2.140 calorias e 93 gramas de proteína, consideravelmente maior que a ração diária recomendada para as pessoas de seu porte. É quase inconcebível que os bosquímanos, que comem 75 ou mais plantas silvestres, possam morrer de fome da mesma maneira que centenas de milhares de fazendeiros irlandeses e suas famílias morreram durante a escassez de batata da década de 1840."

Evidências de ossadas sustentam a hipótese. Esqueletos da Grécia e da Turquia no fim do período paleolítico indicam uma altura média de 1,75 m para os homens e 1,65 m para as mulheres. Com a adoção da agricultura, a altura média declinou acentuadamente; há cerca de 5000 anos, o homem médio tinha aproximadamente 1,60 m de altura, a mulher média, 1,52 m. Até os gregos e turcos modernos não são, em média, tão altos quanto as pessoas do fim do Paleolítico da mesma região.

O aumento da incerteza
No curto prazo, a agricultura foi provavelmente desenvolvida no antigo sudoeste da Ásia, e talvez em outras partes, para aumentar os suprimentos de comida para sustentar uma população crescente em uma época de sérios problemas com recursos. Com o passar do tempo, contudo, conforme a dependência de cultivos sofisticados aumentou, também aumento a incerteza geral do sistema de suprimento de comida. Por quê?

Proporção de plantas domesticadas na dieta
Existem muitas razões do porque que os primeiros agricultores dependiam cada vez mais de plantas cultivadas. Devido a agro-ecologia ter criado um ambiente favorável às plantas, possibilitava o agricultor cultivar terras anteriormente não utilizáveis. Quando necessidades vitais coma água podiam ser levados para as terras entre os rios tigre e Eufrates na mesopotâmia, a terra no qual o trigo e cevada não eram nativos, poderiam sustentar grandes extensões de grãos domesticados. Plantas domesticadas, também forneciam mais e maiores partes e eram fácil de colher, processar e digerir. Existem evidencias de que também possuíam um melhor sabor. Finalmente, o grande lucro das plantas domesticadas por unidade em terra também levou a uma grande proporção de plantas cultivadas na dieta, mesmo quando plantas selvagens ainda eram comidas e eram tão abundante quanto antes.

Relação com um numero pequeno de plantas
A relação com um numero cada vez menor de plantas aumenta muito mais o risco de que a plantação falhe. De acordo com Richard Lee, os Ju/'hoansi, que vivem no deserto do kalahari, usavam mais de 100 variedades de plantas, 14 frutas e castanhas, 15 bacíferas, 18 espécies de gomas comestíveis, 41 raízes e bulbos comestíveis, e 17 folhagens, feijões , melões, e outros alimentos; 1992b, 48). Em contraste, os agricultores modernos se dedicam em não mais que 20 plantas, e das quais 3 - trigo, milho, e arroz - alimenta a ampla maioria da população mundial. Historicamente, eram apenas um ou duas safras de grãos que eram de grande importância para um grupo de pessoas. Uma diminuição desta safra teria efeitos catastróficos na população.

Reprodução seletiva , monocultura e variedade genética
A reprodução seletiva de qualquer espécie de planta diminui a diversificação de suas informações genéticas, eliminando variedades com resistência natural a pestes sazonais, doenças e ameaçando suas chances de sobrevivência a longo tempo, aumentando os riscos de perdas severas em tempos de seca.
Novamente, quanto mais um povo depende de espécies de plantas particulares, mais riscos surgem no futuro. Monocultura é a pratica de cultivar apenas uma espécie de planta numa área, apesar de um crescimento de ganhos em eficiência a curto prazo, a monocultura expõem um campo inteiro a destruição por doenças ou pragas. A conseqüência seria a fome.

O Aumento da dependência de plantas
Com as plantas cultivadas exercendo um papel cada vez maior na dieta, as pessoas começaram a depender das plantas e as plantas por outro lado começaram a depender das pessoas - ou do ambiente criado pelas pessoas. Mas as pessoas não podem controlar completamente tal ambiente. Chuvas de granizo, enchentes, seca, infestações, geadas, calor, ervas daninhas, erosões, e outros fatores poderiam destruir ou afetar significativamente a safra, ainda que se disponha do controle externo humano. O risco de fracasso e fome crescem.

Aumento das Doenças
Conectado com a evolução da domesticação das plantas está o aumento das doenças, especialmente das variedades epidêmicas, pelo qual existem muitas razões. Primeiro, devido ao sedentarismo, os dejetos humanos eram depositados próximos às áreas de convivência. Um crescente numero de pessoas começaram a morar próximos uns dos outros em assentamentos relativamente permanentes, a disposição dos dejetos humanos se tornou cada vez mais problemático: grande quantidade de material fecal tem potencial para transmitir doenças, e os dejetos de animais e plantas te potencial de alimentar pestes, das quais muitas são vetores de doenças.

Segundo, um grande numero de pessoas morando próximos uns aos outros servem como deposito de doenças. Uma vez que a população seja grande o suficiente, a probabilidade de transmissão de doenças aumenta. No tempo em que uma pessoa se recupera de uma doença, uma outra entra num estagio infeccioso , podendo então re-infectar a primeira. Consequentemente a doença nunca deixa a população. A rapidez com que as crianças espalham resfriados, gripes, e piolhos ilustram como populações aglomeradas e os germes interagem.

Terceiro, povos assentados não podem fugir das doenças; em contraste, se alguém num bando de coletores adoece, os outros podem se distanciar, reduzindo a probabilidade da doença se espalhar. Quarto, a dieta agricultora pode ter reduzido a resistência a doenças. O Crescimento na população humana fornece uma grande oportunidade para que germes parasitem humanos. Se fato, existem evidencias de que o desmatamento para a pratica agricultura na áfrica sub-saariana criou um excelente ambiente para os mosquitos transmissores de malaria.

Degradação ambiental
Com o desenvolvimento da agricultura, humanos começaram a intervir mas ativamente no ambiente.
Desmatamento, perdas de solo, assoreamento e perda de nutrientes, e a extinção de diversas espécies nativas seguiu a domesticação. No baixo vale do Rio Tigre e Eufrates, as águas para irrigação usadas pelos primeiros agricultores carregaram autos níveis de sal, contaminando o solo e o tornando inutilizável nos dias de hoje.

Aumento do Trabalho.
Cultivar plantas e animais domésticos requer muito mais trabalho do que a coleta e a caça. As pessoas precisam limpar a terra, plantar as sementes, moldar as plantas jovens, protege-las dos predadores, ceifar, processar as sementes, armazena-las, e selecionar as sementes para as próximas plantações; similarmente, as pessoas precisam proteger os animais domesticados, selecionar os indivíduos, tosquiar, alimenta-los, é um continuo trabalho.

Tradução: Erva Daninha - iniciativa anti-civilização




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:13 PM



Domingo, Agosto 30, 2009 :::



O Anarco-Primitivismo e a Bíblia
Por Ched Myers

O "Anarco-Primitivismo" é uma importante corrente do pensamento ecológico profundo contemporâneo que reage a crise social e ambiental contemporânea com uma revisão radical da historia da civilização. Apesar de ter ocorrido poucos engajamentos vigorosos entre a Teologia Cristã e esta corrente filosófica radical (exceções incluem Jaques Ellul e Vernard Eller), este artigo reflete sobre os possíveis pontos de contato entre as idéias Anarco-Primitivistas e certas trajetórias encontradas na Bíblia.
A vigorosa crítica Anarco-Primitivista da civilização encontra surpreendentes ressonâncias entre as escrituras hebraico-cristãs – se, lidas como documentos da resistência israelita contra os impérios do antigo oriente médio, do Egito a Roma, ao invés de uma legitimação ideológica da cristandade.
Os seguintes oito "pontos de diálogo", representam aspectos salientes da perspectiva Anarco-Primitivista articulada por exemplo por John Zerzan, e estão aqui correlacionadas com temas bíblicos secundários e principais.

1) Para o Anarco-Primitivismo a civilização representa uma regressão patológica, ao invés de uma ingênua progressão da consciência humana.
Apesar de a teologia majoritária ter adquirido amplamente a narrativa dominante do "progresso" , a perspectiva Bíblica sobre as origens históricas é completamente oposta - possivelmente é o motivo pela qual tem sido tão marginalizada desde o iluminismo. A "história primitiva" de Gênesis 1-11, por exemplo, retrata a civilização como o "fruto" não do gênio humano, mas sim da alienação do estilo de vida simbiotico do "Jardim". A sua narrativa da "Queda" é uma narrativa de trabalho penoso, assassinato, violência e urbanismo predatório, culminando no símbolo da torre de Babel como a zênite da rebelião humana contra Deus e a natureza. Isto pode ser lido não apenas como uma polemica contra os antigos impérios do oriente médio que circundavam Israel , mas também como um diagnóstico arquétipo da civilização-como-patologia. No decorrer do resto da literatura bíblica esta forte linha de ceticismo prevalece, melhor resumida provavelmente pelo tropo de Jesus de que "Salomão em toda sua glória" (uma alusão ao Templo-Estado de David, o auge do poder da civilização israelita) era intrinsecamente de menos valor do que uma simples flor selvagem (Lucas . 12:27).

2) A perspectiva Anarco-Primitivista da "pré-história" argumenta que a domesticação neolítica das plantas e animais leva a domesticação dos seres humanos.
A agricultura inexoravelmente deu origem a concentração populacional e a sociedades altamente centralizadas e hierárquicas em ambientes urbanos. E acabou se desenvolvendo em opressivas cidades-estados, uma agressiva civilização colonizadora que empregou uma poderosa força centrípeta contra as regiões distantes. Desta forma, a agricultura é retratada no Gênesis não como uma dádiva dos deuses - como é retratada em outros mitos do antigo oriente médio - mas como uma maldição, o resultado da rejeição humana do modo de vida simbiotico do "Jardim" (Gênesis 3:17-19). Enquanto que o pastoralismo é visto de maneira mais empática na literatura bíblica , devemos manter em mente que durante o período pastores eram habitantes da periferia socialmente marginalizados.
Da historia de Babel adiante, a cidades muradas e sua arquitetura de dominação são denunciadas regularmente, como Jaques Ellul argumenta, incluindo as "cidades armazéns" construídas pelo trabalho escravo hebreu (Êxodo. 1:11-14) e a fortaleza canaanita de Jericó (Josué 6:26). Enquanto que muita literatura da era pós-David romantiza Jerusalém como a "cidade de Deus" a voz profética continua a denunciar aqueles que "impõem impostos e confiam em fortalezas" como agentes do terror - incluindo os lideres israelitas (Isaias 33:18; Ezequiel 26:3-9; Sofonias 1:16; 3:6). Esta antipatia urbana é melhor captada pelo lamento do salmista "Oh! Quem me dera asas como de pomba! Voaria , e estaria em descanso. Eis que fugiria para longe, e pernoitaria no deserto ... pois tenho visto violência e contenda na cidade ... astúcia e engano não se apartam das suas ruas" (Salmos 55:6-11). No Novo Testamento , a visão de João da Nova Jerusalém pressagia um "verdejamento" radical da cidade: portões sempre abertos e um rio que corre ao meio da avenida da qual cresce a arvore da vida (Apocalipse 21-22).

3) O Anarco-Primitivismo endossa estudos antropológicos revisionistas que oferecem uma avaliação mais harmônica da organização social e econômica dos coletores-caçadores, enfatizando o que Marshall Sahlins chamou de "abundancia original" das culturas da pré-história.
Até a ultima metade do século passado, os antropólogos modernos tendiam em compartilhar o preconceito de Thomas Hobbes de que a vida de humanos não civilizados era "solitária, pobre, horrível, bruta e curta". A partir de Sahlins , o consenso tem mudado completamente: as culturas coletorás-caçadoras agora tendem a ser retratadas como saudáveis, plenas em lazer, livres, materialmente mais satisfeitas, menos ansiosas e infinitamente mais ecologicamente sustentáveis do que as culturas industriais modernas. Em particular, as praticas indígenas de subsistência e dádiva são agora apreciadas como um paradigma econômico viável e radicalmente diferente.
Isto encoraja uma reavaliação da cosmologia econômica da Bíblia. Por exemplo, a história do maná no deserto instruiu Israel (agora libertos da escravidão do Egito) sobre o sustento material como uma dádiva divina (Êxodos 16:4). A narrativa enfatiza princípios de "simplesmente colete": apenas pegue o que é necessário, não acumule, e esteja certo de que todos os membros da comunidade tenham o suficiente - mas não muito! (16:16-25)
A Bíblia enfatiza a abundância natural da providencia, a auto-limitação comunal e o compartilhar. O planejamento do ano Sabático de perdoar débitos e de redistribuir as riquezas - Mais notavelmente no Jubileu Levítico (Levítico 25) - foi uma restrição contra a intensa estratificação que caracteriza a escravidão - e a economia de impostos do Antigo Egito, Assíria e Babilônia. A cosmologia da dádiva é reiterada pelos profetas: "O vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde, comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite" (Isaias 55:1). Isto toma um melhor sentido nos textos do Novo Testamento, o que tem sido a maldição para a religião capitalista, tal como o ensinamento de Jesus sobre doar as suas posses (Lucas 12:13-34), a economia do compartilhar na comunidade de Atos (Atos 2:42-47). Isto sugere que os escritores bíblicos estavam tentando reabilitar o caráter econômico das culturas indígenas "pré-civilizadas" como um melhor caminho a se seguir.

4) Para o Anarco-Primitivismo a crise ecológica necessita de uma critica radical da tecnologia e de todas as formas de tecnologia industrial, na crença de que quando usamos tecnologias as tecnologias nos usam de um modo que nos desumaniza e destróis as nossas competências naturais.
A Bíblia, como um texto antigo, tem relativamente pouco a dizer sobre a "tecnologia" propriamente dita, porém dois textos da antiga Torá são pertinentes. Um é a proibição do fogo doméstico no Sábado (Êxodos. 35:3), portanto restringe o que é claramente a ferramenta humana mais antiga. O outro reflete uma suspeita primitiva das ferramentas como instrumentos de dominação em relação a natureza: " Se me levantares um altar de pedra, não o construirás de pedras talhadas, pois levantando o cinzel sobre a pedra, tê-la-ás profanado."(Êxodo 20:25).
As escrituras têm abundantemente o que dizer sobre o perigo dos objetos manufaturados, particularmente na bem conhecida proibição da fabricação de imagens. Porem este tabu é mais anti-fetichista do que anti-ícone, reconhecendo que "fazer objetos" inevitavelmente os torna mistificados e sagrados, assim tomando mais valor do que os seus construtores (uma declaração clássica é encontrada em Isaias 43:9-20). Este insight foi depois ressuscitado na teoria do fetichismo da mercadoria no capitalismo em Marx, como foi demonstrado por Guy Debord.

5) O trabalho assalariado e a hierárquica divisão de trabalho, condição indispensável para a civilização, é inerentemente alienante.
Temos visto que o trabalho da agricultura é retratado como antitético ao desejo divino na historia da queda (Gênesis 3:19). De modo mais generalizado, as leis Sabaticas, fundadas na vontade de Deus de um caráter de uma auto-restrição (Gênesis 2:2-25), procurou refrear o potencial compulsivo-viciante de todo o trabalho através da limitação do mesmo. Guardar o Sábado é o primeiro (Êxodo 16:23) e o ultimo (Êxodo 35:1-3) mandamento da Aliança Divina, regularmente interrompendo o ritmo do ano agrícola de Israel pelo ritual de "impedimento do trabalho" (Levítico 23). A Lei e os profetas inflexivelmente criticam a exploração do pobre pelo rico (Levítico 19:13; Amós 5:11). Jesus tece historias que minam a santidade do trabalho assalariado (Matheus. 20:1-16), e que opunha camponeses rebelados contra proprietários de terra ricos (Marcos 12:1-10) . Jesus defendeu o direito dos famintos de tomarem o alimento (Marcos 2:23 e seguintes) e invocou a cosmologia da dádiva divina: "Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta." (Mateus 6:26; Lucas 12:24). Apesar da prisão da moderna teologia cristã à ética protestante do trabalho, o caráter bíblico do Sábado (incluindo a teologia da graça de Paulo) privilegia o ser sobre o fazer, a celebração sobre o trabalho, e a dádiva sobre a possessão - novamente ressonante com a sabedoria indígena no que diz respeito a ecologia física, social e pessoal.

6) Para alguns teóricos Anarco-Primitivistas, a representação simbólica (incluindo a própria linguagem) esta no coração da "queda" para a civilização, se tornando uma substituição para a experiência sensorial direta da natureza produzindo assim diferenciações sociais.
Enquanto que uma crítica radical da linguagem não encontra eco na Bíblia (de fato, João especula que " no princípio era o Verbo", João 1:1), a suspeita contra a "representação" encontra referencias. O pacto de Israel é selado não apenas nas palavras da Torá , mas também pela "testemunha" de uma pedra abaixo de um carvalho (Josué 24:27).
É a idolatria (ou seja, o super-representacionalismo) o problema para os escritores bíblicos, não a natureza. De fato, mesmo os profetas reconhecem que os próprios aparatos de culto de Israel podem se tornar um veiculo de opressão (Amos 5:21-24; Jeremias 7:9-14 , um texto que inspirou a ação direta de Jesus , Marcos 11:15-33).
Portanto, a história do principio de Israel é repleta de paisagens selvagens e muitas vezes mágicas que revelam Deus diretamente. (Salmos 104 e Jó 38-41).
O que inclui desertos remotos (Êxodo 17:1) e rios de águas transbordantes (Josué 3); planícies (Gênesis 26:19-22); e grutas em montanhas altas (Gênesis 19:30, Juizes 6:2; 1 Reis 19:9); florestas e vales (Isaias 44:23; 55:12).
YHWH aparece embaixo de carvalhos (Gênesis 12:6-20; 18:1; Juizes 6:11) e sua divina voz é encontrada em arbustos flamejantes (Êxodo 3) ou no alto de uma montanha encoberta por nuvens (Êxodo 19; ver Marcos 9:7) Heróis da comunidade são "nascidos" em rios (Êxodo 2:3, ver Marcos 1:9-11), enterrados entre arvores (Gênesis 35:8; 1 Samuel 31:13) e andaram sobre o mar (Marcos 4:35-41). A visão extática de Jacó do Axis mundi se deu numa terra selvagem desértica, sonhando com sua cabeça deitada numa pedra: "Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus!" (Gênesis 28:16-17). YHWH é imaginado - mas nunca feito imagem - como um Leão que ruge (Oséias 11:10), uma Águia com ninhada (Deuteronômio 32:11) e uma Mãe Ursa furiosa (Oséias 13:18). Como em toda sociedade tribal, existem historias de perigosas aventuras entre os animais selvagens, desde o grande peixe de Jonas, aos leões de Daniel. E a vida ritual de Israel está em sintonia com a passagem das estações (Levitico 23) e com as fases da lua (Salmos 81:3). Jesus prefere a solidão do deserto (Marcos 1:35), e convida a seus discípulos a aprender com as sementes (Marcos 4), com as arvores (Marcos 13:28), pássaros (Lucas 12:24) e com a chuva (Mateus 5:45). Existe também uma sugestão escatológica de que a comunhão primal e não mediada entre Deus, natureza e humanos será um dia restaurada (Jeremias 24:7 ; 31:33; Ezequiel 36:26), o que é intensificado na metáfora de João da unidade existencial (João 6:35); na noção de Paulo de estar "em Cristo" (Romanos 8:35-39); e na nova Jerusalém sem Templo na qual Deus habitará diretamente (Apocalipse 21:22).

7) O Anarco-Primitivismo defende uma variedade de estratégias individuais e de grupo para se "tornar feral", tanto combatendo o sistema dominante quanto "re-habitando" espaços naturais para sua proteção e nossa "desintoxicação".
Dois aspectos distintos da teologia bíblica são notadamente valorizados aqui. Um é a maneira na qual YHWH habita os espaços não domesticados pela civilização, e é encontrado apenas por humanos que viajam para lugares selvagens. Isto se torna a metáfora principal da libertação na historia do Êxodos, e continua na vida dos profetas que se tornam "ferais" tais como Elias (1 Reis 19:3 - e seguintes), João Batista (Lucas 3) e Jesus, que começou seu ministério com uma “busca por visões” num ambiente selvagem (Mateus 4:1-11). O escritor de Hebreus convoca os crentes à solidariedade com Cristo "para fora das portas" da civilização (Hebreus 13:12 e seguintes), e nos recorda dos heróis de fé que resistiram ao império se tornando ferais, "errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra." (Hebreus 11:38). No Apocalipse de João a Igreja é retratada fugindo da Besta imperial indo para o deserto (Apocalipse 12:6).
Outro aspecto é a maneira pela qual a natureza é retratada em "oposição" a civilização imperial. Fortificações egípcias sitiadas por desastres naturais (as "pragas" de Êxodos 7-10). Oráculos proféticos denunciam o desflorestamento da Assíria (Ezequiel 31) e a poluição dos rios pelas criações de gado dos Faraós (Ezequiel 32:13), e é esperado pelo dia em que animais selvagens irão re-habitar os espaços que as cidades-estados têm colonizado (Isaias 13:19-22;34:8-15);"a toda espécie de aves de rapina e aos animais do campo eu te darei, para que te devorem." (Ezequiel 39:4). Existe uma fascinante historia de povos retornando (ainda que incompetentemente) aos antigos modos de coleta de alimento durante a fome (2 Reis 4: 38-44), uma parábola da divina abundancia versus a escassez imperial que Jesus restabelece em sua alimentação no deserto (Marcos 6:35 e seguintes). E o apostolo Paulo - que também se retirou ao deserto (Gálatas 3:17) - clama por um radical não-conformismo contra os códigos culturais dominantes da civilização romana (Romanos 12:1-2).

8) O Objetivo do Anarco-Primitivismo não é "voltar ao paleolítico" o que reconhecidamente é impossível, mas sim (re)descobrir a "futura primitividade".
A Bíblia concorda que desde a Queda o mundo natural tem sido continuamente destituído de seu equilíbrio pela violência e ganância da civilização. A Torá é proposta como um código de praticas comunais alternativas tendo relação com a auto-limitação. Nisto encontraremos diversas tentativas interessantes de reprimir tendências ecocidas, como por exemplo o tabu contra o tomar por alimento uma mãe pássaro e sua cria (Deuteronômios 22:6) e a notável proibição de destruir a natureza durante a guerra: “A árvore do campo seria porventura um homem para que a ataques?" (Deuteronômio 20:19-20). Os Evangelhos parecem convocar pelo recomeço dos antigos modos de vida (Marcos 1:2), e Jesus é chamado de arquétipo do "Primeiro Homem" (Marcos 2:28) e de "Adão Escatológico" (1 Coríntios 15:45). Historias de seu poder de cura sugere uma antiga capacidade renovada não apenas para "xamãns" mas para todos os discípulos (Marcos 6:12; Atos 3:1 e seguintes). Sua postura de oposição levou os representantes da civilização romana na palestina a executarem Jesus como um dissidente/herético. O Novo Testamento portanto fala claramente do "custo do discipulado" e da fé: "A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê; Foi ela que fez a glória dos nossos antepassados." (Hebreus 11:1). Acredita-se que o mesmo poder criador divino que criou o mundo seja capaz de renová-lo, e a escatologia bíblica visualiza e restauração da "paz original" (Isaias 11:6-9), insistindo que uma "nova terra e um novo céu" irá finalmente eclipsar a realidade árida do império. Esta consciência alternativa não é uma fantasia escapista; tal consciência fortalece tanto a regeneração quanto a resistência (2 Corintios 10:4; Efésios 6:10 e seguintes ). Como Paulo colocou, a natureza esta gemendo em sua condição de escravidão, esperando pelos humanos que irão cooperar com o plano divino de libertação de toda criatura vivente (Romanos 8:20 e seguintes).
Admitidamente, algumas das interpretações aqui esboçadas têm sido desenvolvidas pela teologia da cristandade, e não pela contemporânea academia bíblica dominante - em direção completamente oposta. E existem, para sermos claros, certos traços da literatura bíblica que celebram Israel como civilização, o que tem sido usado para promover tudo aquilo que o Anarco-Primitivismo deplora. Porem, enquanto que as escrituras Judaico-Cristãs podem não concordar com toda a perspectiva Anarco-Primitivista. O que é surpreendente é descobrir a intensidade de ressonância. Como sempre é o caso, novas questões abrem novas visões hermenêuticas. O acima mencionado sugere que o dialogo entre a teologia bíblica e o anarquismo verde radical não é apenas possível, mas também chave para nossa exploração da intersecção entre religião e natureza.

Fonte: Jesusradicals.com
Tradução: Erva Daninha - Iniciativa anti-civilização





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:32 AM



Sexta-feira, Junho 26, 2009 :::




Amor
por John Zerzan

A vertigem da Tecno-modernidade é um invasiva sensação de insignificancia, o que
tambem é certamente registrado no nivel do que é sentido diretamente, e não
apenas pensado.
Já em 1984 Frederic Jameson se referiu a um "declinio do afeto" na sociedade
pós-moderna, uma paralisia ou afastamento emocional. Existe uma dissolução ou
nivelamente tomando caminho para dentro do terreno mais vital do ser humano.
Nosso estado afetivo é a exata textura e timbre de nossas vidas . Nada é mais
imediato para nós do que nossos sentimentos. Isto é fundamental, nos da a
"sensação" que temos do mundo, é o que atualmente nos conecta com a realidade.
Emoções são artefatos culturais, mais ainda do que idéias. Nesta direção Lucien
Febvre (1938, 1941) convocou uma história das sensibilidades, e Anne
Vincent-Buffault (1986) contribuiu com Histoire des Larmes (Historia das Lagrimas).
Estão nossas paixões no centro de nossa existência? Cada cultura possui seu
proprio ambiente emocional, cada luta politica é uma luta afetiva. A luta contra o
percurso da civilização certamente esta inclusa. As coisas são sentidas antes de
serem pensadas ou acreditadas, portanto, a hegemonia - ou a sua eliminação - tem
seu inicio no sentimento.

O primeiro livro de Adam Smith, The Theory of Moral Sentiments (1759), viu nas
emoções a linha que tecia a união da fabrica social. nada disso é uma descoberta
extraordinaria, porém muitas vezes agimos como se o campo do afeto não fosse de
relevância real.
A razão e a reflexão são relativamente expressões refinadas das próprias paixões.
Antonio Demasio fornece a noção de que a "consciencia começa como um
sentimento, um tipo especial de sentimento para ser claro, um sentimento de saber"
Sua sugestão reacende a divisão mente-corpo, tão essencial para a vida na
sociedade de massas.Tantas divisões debilitantes: Humanos da natureza, trabalho
do divertimento, a divisão entre as pessoas. Tambem somos afastados das
sensações fisicas, da experiencia direta.

Sentimentos são personificados, mas o que acontece ao contexto desta
personificação? O isolamento cresce a largos passos e os laços sociais
permanecem frágeis. Amizades são transferidas para "amizades" de rede sociais
de internet, e as casas onde moram apenas uma pessoa são uma porcentagem
cada vez maior de todas as casas. Onde é o lar? O assunto está disperso e o
social não existe mais, de acordo com Baudrillard.
Sentimos tudo isso, mesmo que a superficialidade da cultura dominante trabalhe
para deformar e superficializar nossas emoções centrais a sua propria imagem.
Este centro é seu próprio encorporamento, provavelmente o mais forte reduto da
resistência. Por outro lado, numa amarga ironia, poderiamos nao estar em tamanha
condição de não-saúde. poderiamos nao estar tao aflitivamente de alertas a
destruição de corações deste vazio moderno. Poderiamos naão estar em tamanha
ansiedade , em tamanha dor.

O livro The Affective Turn (2007) reflete pelo seu titulo a atual consciência da
centralidade da emoção como cultura. Apresentado pelo comunista Michel Hardt, é,
de qualquer forma, muito mais um exemplo do paradigma dominante do que uma
correção util. O comprometimento esquerdista com o progresso industrial é uma
parte importante do ataque violento contra a natureza intima. É um problema, não
uma solução.

Personificamos uma continua historia de amor e sofrimento, levando o testemunho
do que tem nos movimentado. O amor, como Kierkegaard enfatizou, é a base de
todo o significado na vida , como a conhecemos. Temos amor e cuidados antes de
aprendermos a formular qualquer coisa em linguagem. Como Martin Amis colocou
(The Times, 11/6/06), "O amor vem a ser a unica parte de nos que é solida,
enquanto o mundo vira de cabeça pra baixo e a tela se apaga."
Mas a falencia do advento do amor nas sociedades contemporâneas é tão obvio
quanto é doloroso, como foi recontado variadamente nas novelas de Michael
Houllebecq, por exemplo.
O anarco-novelista Tom Robbins tem enfatizado a questão de "como você faz o
amor permanecer?" Devemos concordar com o Eclesiastico (6:16) de que "um
amigo fiel é um remédio de vida" , mas onde estão os amigos? O acentuado
declinio da amizade nos EUA nas decadas recentes está bem documentada (por
exemplo, McPherson, Smith - Lovin and Brashears, American Sociological Review,
Junho 2006).

E é precisamente aqui que a teoria radical falha, ou falha em apresentar. Por que é
o "desejo" ( ou mais alienadamente ainda, a "sedução") que é o foco , e não o
amor?
Como Bell Hooks descreveu, "quando converso sobre amor com minha geração,
percebo que isto deixa todos assustados" Ainda que exista tal necessidade neste
deserto do espirito: nossa cultura de desamor acumulado.

O oposto de amor não é a raiva, e sim , a indiferença, carimbo oficial do cinismo
"descolado" posmoderno. Até aqui, tudo tem se ajoelhado diante da existência
producionista na drenagem tecno-cultural. Entretanto, precisamos convocar a
profundidade do relacionamento contra a superficialidade dominante, no qual tudo é
tão inconstante e descartavel.
Uma caracteristica chave é o amor potencial irrealizado da atualidade afetiva, em
nós mesmos e nos outros.
Existem obviamente potenciais "becos sem saidas" e ciladas no caminho. Por
exemplo, a arrogancia sexista que muitas vezes acomoda o amor romântico numa
cultura definidamente masculina-patriarcal. Ou a frequente e mundial negação do
aspecto do amor religioso, e a tendência em retrair a autêntica individualidade em
favor de uma identificação devoradora que nega e nâo aceita os outros.
Se emoção é um comportamento, o amor é certamente uma ação, assim como um
processo mental basico.
O amor é uma chave para o crescimento e fortalecimento emocional que pode nos
levar a uma grande comunhão com o mundo. O amor redime e da significado,
enfatizando a graça e a dádiva. A dádiva como uma oposição a atualidade
impiedosa.
Luce Irigaray expressa habilmente: " A dádiva não tem objetivos, propósitos - a
dadiva é doar. Antes de qualquer divisão entre aquele que doa e o que recebe.
Antes de qualquer identidade que separa o doador do que recebe. Mesmo antes da
propria dádiva."

Falar daquilo que pode ser doado pode nos lembrar o que nos tem sido tirado. Na
decada de 1950 Laurens van der Post encontrou um povo que podia carregar tudo
o que tinham em uma mão. Ele se referiu a "maravilhosa risada dos Bushman, que
sai do centro do ventre, um riso que não se ouve nunca entre civilizados."
Que proeza, a extinção do prazer de estar vivo na Terra. O objetivo psicanalitico de
Freud foi transformar a miseria neurotica em infelicidade "normal"; E o objetivo de
Lacan é que o analista aprenda a ser um infeliz como todo mundo.
É impressionante como é extremamente raro a menção de termos como sofrimento,
angustia ou tristeza na literatura da psicologia. Tais questões são claremente de
nenhum interesse teórico, meramente sintomas a serem classificados sob
descrições "menos emocionais". Simone weil visitou fabricas para entender o
sofrimento. As fabricas permanecem, a miséria está agora mais generalizada numa
sociedade cada vez mais sintética e deslocada.

Elaine Scarry em seu livro O Corpo e a Dor (1985) viu a tortura como "uma
miniaturização do mundo, da civilização." Um outro comentário sobre o estado da
sociedade que contém a cada dia mais desastres, ou até mesmos atrocidades
diárias. A Observação de Chellis Glendinning se aplica: traumas pessoais
comumente refletem o trauma da propria civilização em si.
Nos Estados Unidos é um fato que as doenças mentais/emocionais são os
principais problemas de saúde. E como Melinda Davis tem observado "A
ansiedade é a peste negra de nossos dias".
Um ótimo exercício, como eu vejo, é colocar toda as políticas em termos de saúde,
por exemplo, o que em nossa vida social é saudavel ou não-saudavel? Não é afinal
de contas a linha central de tudo?
O cenario geral é bem conhecido. Ansiedade e estresse debilitam o sistema
imunologico; 50 por cento das pessoas que possuem uma condição de ansiedade
também sofrem de depressão profunda. O surto de ansiedade ocorre contra o
cenario de um aumento da depressão entre todas os países industrializados.
De forma interessante, R.C. Solomon, encherga a depressão como "uma maneira
de deslocar a si mesmo dos valores pré-estabelecidos de nosso mundo."

No começo de Maio de 2008, diversas notícias vieram a tona sobre a alta
incidência de dores fisicas crônicas: ao menos 30 por cento da população
americana esta angustiada. E assim, dando continuidade, do crescente número de
incidentes com armas de fogo e índices de obesidade, agora crianças sofrem de
diabetes e doenças do coração; crianças em mudança de comportamento devido a
drogas infantis, o enorme crescimento de asma, autismo e alergias; Pais matandos
seus filhos; milhões "encantados" pelo viagra; dezenas de milhares de pessoas
dependentes de remédios para dormir, etc. etc. O cenario total é cada vez mais
patológico e assustador.
Não é surpresa que encontremos toneladas de livros de auto -ajuda vendidos, uma
intensa preocupação com o bem estar psicológico, e um infinito espetáculo do
sofrimento emocional via televisão e internet. Observe a sequência das revistas
americanas mais vendidas: Life, people, Us e Self. A redução da perspectiva em
uma sociedade individualista é obvia.

O livro de Cristopher Lasc , Cultura do Narcisismo (1979) citou: " uma sensação de
vazio interior, de raiva infinitamente reprimida". Escrevendo em 2008, Patricia
Parson concluiu que atualmente vivemos "numa condição muito mais fria que o
narcisismo" (Uma Breve história da Ansiedade).

Como sempre a acomodada sensibilidade do posmodernismo proclama o fim de
um "self" central, em favor de uma multilpicidade de papéis alternados a serem
encenados. Com os laços sociais atrofiados, existe algo central? Dispersados,
assim como o contato humano, desaparece o contato com a natureza, sentimos
medo de estarmos sozinhos com nós mesmos. Um modo de vida de distração
reprime memórias de sofrimento e a espera de um afeto. O que é o Progresso, ou
em outras palavras Modernidade? "É a enorme quantidade de resíduos químicos
potencialmente letais em nossas células. É estar sentado em frente a uma tela de
televisão ou de um computador num dia lindo. É fazer compras quando se esta
deprimido. É o sentimento de que algo esta sendo perdido." (Kevin Tucker, O Que é
Totalidade?") Provavelmente é uma surpresa que Descartes, progenitor da
alienação moderna, identificou o maravilhamento ou admiração como a primeira
das seis paixões humanas primitivas, no livro As Paixões da Alma (1649).
Onde está nossa capacidade de uma admiração genuína numa sociedade
desencantadora?

Posso dizer a vocês que eu fico emocionado pelo canto perserverante dos grilos,
suas fortes vozes de vida assim que o verão se encerra no Noroeste Pacifico. É
sempre um prazer especial ouvir a migração dos gansos logo acima, seus gritos
soam para mim como cães que latem suavemente logo acima. Não existe uma
consciência que é separada de algo que se experimenta. O que acontece então
quando tudo é experimentado de forma massiva, em produtos, imagens?
A diminuição do afeto , como Jameson colocou, é a diminuição de tudo aquilo que é
vivo também. Podemos realmente viver uma vida sem sentido (tecnificada, sem
encanto, e indireta)?O que é vivo e imadiato não existe numa tela.
Sabemos em qual direção a saude está. Freud escreveu para Wilhelm Fliess, "
Felicidade é um anseio pré-historico adiado. Isto é o porque que a riqueza fornece
tão pouca felicidade" (janeiro, 1898).
A simplicidade contém tudo e na simplicidade tudo é presente. Albert Camus
acertou bem com esta nota: " Eu cresci com o mar e a pobreza para mim era
luxuosa; então eu perdi o mar e percebi toda a luxuria cinza e a pobreza intolerável."

Tradução daninha




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -12:52 AM



Segunda-feira, Junho 15, 2009 :::


NÃO EXISTEM CATÁSTROFES NATURAIS

(Baseado em um texto escrito por anônimos e anti-autoritários na época em que uma grande inundação acometeu a Itália)


Mais de vinte feridos, certa de dez desaparecidos, 40 mil evacuados. E centenas de milhões de dolares em prejuízos. Como se não tivessem sido gotas de chuva, mas bombas caindo sobre suas cabeças. Como se não tivesse sido uma inundação, mas um guerra, devastando suas casas. De fato isso foi. Mas o inimigo que atingiu tão severamente não foi o rio ou a montanha. Essas não são, na verdade, armas para uma vingança de uma natureza que estamos acostumados a pensar como hostil. A guerra que tem sido travada por séculos agora não é entre a humanidade e o meio ambiente natural, como tantos gostaríam que acreditássemos para garantir nossa obediência. Nosso inimigo é nossa própria atividade. Essa é a guerra. Esta civilização é a guerra. Natureza é simplesmente seu principal campo de batalha.Nós causamos essas poderosas tempestados ao transformarmos o clima atmosférico com nossa atividade industrial. Nossa atividade tem erodido os leitos dos rios, enchendo-os de lixo e deflorestando suas margens.Temos feito pontes desabarem contruindo-as como materiais defeituosos escolhidos para vencer o contrato. Temos devastado vilas inteiras contruindo casas em áreas de risco. Nós temos criado chacais que enchergam lucro em qualquer situação. Nós temos sido negligentes em não tomar medidas preventivas contra esses eventos, estando preocupados apenas em abrir novos estádios esportivos, shopping centers, linhas de metrô e ferrovias.


E como nós somos os responsáveis? Nós permitimos que tudo isso tenha acontecido repedidamente, delegando as decisões que afetam nossas vidas à outras pessoas. E agora, após devastar o planeta inteiro para nos mover mais rápido, comer mais rápido, trabalhar mais rápido, fazer dinheiro mais rápido, assistir TV mais rápido e "viver" mais rápido, nós ainda nos atrevemos a nos queixar quando descobrimos que nós também morremos mais rápido?


Não existem catástrofes naturais, apenas catástrofes sociais. Se nós não quiesermos continuar a sermos vítimas de imprevisíveis terremotos, inundações excepcionais, vírus desconhecidos ou qualquer outra coisa, nossa única chance é agir contra nosso verdadeiro inimigo: nosso estilo de vida, nossos valores, nossos habitos, nossa cultura, nossa indiferença. Não é contra a natureza que nós precisamos urgentemente declarar guerra, mas contra a nossa sociedade e todas as suas instituições. Se nós não estivermos preparados para inventar uma existência diferente e lutar por realizá-la, estaremos nos preparando para morrer nessa existência que outros escolheram e impuseram. E morrer em silêncio, assim como sempre vivemos.

Tradução: Renato





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -1:32 PM



Terça-feira, Maio 12, 2009 :::


O Anarco-primitivismo e o que isso tras de bom

*Após ler abandone o termo anarco-primitivismo

O anarco-primitivismo fundamentalmente é dizer que vivemos sujeitos a um processo de alienação. Afastados do que realmente podemos, vivemos simbolos, vivemos ideologias, que se iniciam com a domesticação. Os simbolos não são mais ferramentas efemeras e mutáveis.
Esta frase de Nietszche simboliza muito bem: "o ideal é a blasfemia contra a realidade".

O pacote anarco primitivismo tem sido mais falado sobre o que não é do que sobre as criticas e
sugestões que oferece. Tem sido tambem o bode expiatorio de de muitos "experimentos" que querem ser desafogados por
alguns. Um exemplo é apontar o anarco-primitivismo como Neo-rousseaunismo.
O anarco-primitivismo também tem sido visto como Extremismo e dogma, e não pela sua
radicalidade.
Radical, pois trazem criticas a domesticação e a divisão de trabalho, Pré condições de qualquer
sociedade dividida.

Pacote Anarco-primitivismo:

- Divisão de trabalho
É o inico da divisão, da separação. A miniaturização e fragmentação do universo humano.
dissociação de aspectos aparentemente desconexos de nossas vidas.
Sociedade dos que não sabem e dos que sabem, dos tolos e dos espertos.

- Domesticação
É a miniaturização alheia. Processo a base de ideologia

- Povos primitivos como inspiração - primitivismo:
Devido o anarco-primitivismo ser confundido tambem como um sistema (como o o socialismo,
comunismo e o anarquismo) se conta que os povos primitivos seriam o sistema do anarco-primitivismo.
Diferente de romantizar a vida coletora, informados antropologicamente, podemos compreender muitos aspectos de uma vida sem divisões.

- Retorno ao natural:
Simbolos como ferramentas efemeras e mutáveis.
A sociedade contra o estado, contra a divisão.

- Cultura
Resultado da divisão de trabalho, a cultura surge como arte humana fragmentada pelo culto ao genio por vaidade.





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -6:43 PM



Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009 :::

Olá macadada (aspirantes a bonobo), a Biblioteca Daninha foi atualizada com novos textos do Zerzan, Feral Faun, Massimo Passamani, etc e sobre as praticas do dia a dia. visitem...
aqui ao lado os links do blog também foram atualizados , muitas coisas boas e necessarias por ai...




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:15 AM



Quinta-feira, Janeiro 22, 2009 :::




Brevemente Antipolitica

-não confundir com conformismo, isso sim é boa politica.
e ativismo muitas vezes se encaixa em conformismo.

-porque a vida é sem adjetivos

-o que impede ou o que favorece a vida livre nao é necessariamente o Estado ou o anarquismo.
alias, até agora parece que ambos tem trabalhado juntos contra a
anarquia.

-porque o relogio é talvez o "ultimo inimigo a ultrapassar", e isso nao envolve politica.

-antipolitica tambem é antieconomia, os numeros tambem sao dos
ultimos inimigos a serem ultrapassados e isso nao envolve politica.

-porque qualquer subcultura e a subcultura anarquista é ideologia como a dos evangelhicos e esquerdistas, terapistas, e comerciantes, seguidores de alguma coisa.

-porque os sentidos nao reconhecem o ideal, apenas sao atrofiados por ele.

gorroverde




::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -8:27 PM



Barba a fazer

Quando acordo cedo e ja ando por ai, passo a mão em uma
arvore pra sentir como esta o dia, e dizer um oi.
calçadas me fazem lembrar que estou na cidade. reparo nos muros e
vejo as grades das casas.
sigo em frente e esqueço de toda essa paranoia.
sim, é uma praça o primeiro lugar a parar.

começo a pensar em musica...
sobre uma melodia e os efeitos dela
é um nobre motivo para se recorrer a razão.

penso nessa praça como um belo jardim abandonado.
imagino como cada muro e concreto será consumido pela vegetação.
fico sorridente.

a pratica da sanidade leva a pobreza capital
e muitas vezes tenho dormido somente pela exaustão, e por nada que
gere capital.
mas meu sono é bom. como tem que ser...

é uma epoca cruel como todas as epocas desde o surgimento dos calendários.
Não corremos risco de sermos crucificados, mas saibam qual é o valor de
uma floresta ou mesmo de um deserto hoje, na sociedade de massas, tecnologica, industrial e envolvente.

qual sera o tempo de vida de uma civilização global?
ruinas de predios servirão para ver a passagem das constelações.





::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -3:03 AM






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Iniciativa Anti-Domesticação



links:
primitivism.org
indios.blogspot
canibais e reis
Indios "do" Brasil
ciclovida
TAPS
Anarchists against the wall
dedo sobre corda e madeira


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