Erva Daninha Iniciativa Anti-civilização



Sexta-feira, Março 30, 2007 :::


Violência passional, violência justificável

Eu estava conversando com um amigo meu sobre o tema da violência revolucionaria; ele estava defendendo o direito de ferir ou matar em auto-defesa, concedido a todo funcionário governamental ou corporativo envolvido num ato de assassinato, e eu estava tentando explicar porque essa noção me desagradava. Meu amigo tinha uma vantagem - afinal, se é aceitável usar violência como reação a um soldado ou mercenário corporativo invadindo sua casa para despejar, prender ou matar você, por que não usar violência contra o general ou diretor empresarial que os mandou?
Eu acredito que a auto-defesa é um direito inato de todos os seres vivos, e também acredito que a conceitualização ou adoção de um pacifismo total só é possível numa sociedade colonizada e estatizada, que já foi ensinada a aceitar a idéia de uma cidadania passiva e a legitimação da violência autoritária. Por outro lado, acho que a violência é errada, que machucar alguém, mesmo o maior filho da puta corporativo, é em algum nível causa para tristeza, mesmo que eles estejam recebendo o que merecem. Para os anarquistas, a violência é, ou deveria ser, problemática num nível tático também. Toda violência tem um elemento autoritário. Isso é quase invisível nas ações de quem está em desvantagem, até o ponto em que os papéis se revertem, e o perdedor se torna vitorioso. Se a violência foi usada para alcançar a vitória, será ela necessária para preservar a vitória?
Parte da razão pela qual não pude articular meu desconforto e refutar o que meu amigo dizia é que eu quase concordava com ele. Afinal, no dia anterior eu ri alto quando li sobre os dois guardas de detenção de Woomera que foram espancados por anarquistas mascarados libertando alguns dos prisioneiros que buscavam asilo no país. Sob um certo aspecto é triste pensar nisso: um pobre e tolo robô que "só fazia seu trabalho", com a mandíbula quebrada, joelho esmagado, nariz ensangüentado, imaginando que diabos havia acontecido - não estaria ele protegendo seu país; fazendo o que lhe foi ensinado que era o certo a fazer? Mas em outro nível, mais óbvio, é incrívelmente satisfatório pensar que não só algumas pessoas que estavam presas agora estão livres, mas também que alguns "porcos" provaram o gosto da violência que exercem todos os dias.
O caso dos guardas de detenção parece bem claro. Eles estavam usando violência para aprisionar pessoas, então alguns anarquistas usaram violência - não gratuitamente, só o que foi necessário - para libertar algumas dessas pessoas. Podemos chamar isso de um ato de violência justificável, e mesmo agora já não estamos lidando com auto-defesa direta, mas com violência usada para a defesa do outro. Seria também justificável usar a violência para deter os que fazem política, eleitos e nomeados para o cargo, que mandaram os que pediam asilo para a prisão? E quanto aos diretores das corporações que construíram a prisão, ou fabricaram as armas e outras ferramentas usadas pelos guardas? Certamente parece justificável - não seria justo deixar os brutamontes na linha de frente levarem todo o fogo. Se os políticos e diretores empresariais estão levando a guerra para nossos lares, e aos lares de pessoas no hemisfério Sul, não seria justificado levar a guerra aos seus lares? O problema é que isso seria justificável. Em um sistema global de injustiça e violência onipresentes, você pode continuar mudando os limites do que é justificável até que você chega num ponto quase Leninista de extermínio programado de todos os "contra-revolucionários".
Quando percebi e aceitei isso, eu finalmente tinha uma resposta para meu amigo. A questão não é onde traçamos o limite que define a violência "justificável", mas que estejamos traçando um limite pra começar. Todo o sistema global está nos atacando, matando pessoas, destruindo o planeta, e a idéia de auto-defesa, quando usada em um nível racional, pode ser usada para justificar violência contra quase todos que trabalham dentro do sistema. A principal questão é que a violência chega em seu ponto mais cruel quando é um ato racional - estatismo, a ciência ocidental, pena de morte, e regimes ditatoriais nos demonstraram esse princípio. Quando estabelecemos as conexões de alguém a vários mecanismos corporativos ou governamentais de assassinato e ecocídio, ao tentar decidir se são um alvo justificável para atos de auto-defesa, nós tiramos deles toda sua humanidade, toda sua essência como seres vivos e os transformamos em funcionários do poder. A maior violência acontece em nossas mentes, num nível metafísico, quando tornamos em trivial a dor que podemos causar justificando-a e ignorando-a de antemão.
Se alguém me ataca, pronto para me matar ou aprisionar, eu não preciso relacioná-los com um sistema maior de violência, e não preciso chegar a uma conclusão racional de se me defender usando a força seria justificável. Se a situação fica preta, todas as cartas são postas na mesa e as pretensões democráticas de nosso governo civil são deixadas de lado num momento revolucionário, então todos sabem qual é seu posicionamento, eu não preciso construir uma justificativa para mim mesmo de que a elite e seus capangas vão usar violência contra mim se eu permitir. Auto-defesa é um pressentimento instintivo e usá-lo racionalmente para decidir quando a violência é ou não justificável é sedar nossos instintos e colocar a vida, a morte e a dor numa esfera onde eles não podem ser devidamente valorizados.
Corporações e governos estão matando pessoas todos os dias. Existe um clima de guerra desenfreada pelo planeta. Nós devemos lutar e resistir. Eu reconheço a possível necessidade de usar a violência, machucar alguém, para libertar a mim mesmo e a outros. Mas deve ser um ato de paixão. Não devo reprimir a possibilidade de sentir culpa com um ato calculado e bem executado. Se na pior das hipóteses, você deva matar alguém, você deve ao menos respeitá-los e permitir-se chorar pelo que fez. E se você não sente nenhuma compaixão, pelo que exatamente você está lutando?

- um amigo da Anarquia Verde


publicado na Green anarchy #15
tradução: Lucio


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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -7:44 PM



Quarta-feira, Março 21, 2007 :::


CENAS DO ANARQUISMO NA GRÉCIA




Anarquistas atacam sedes governamentais e bancárias em Atenas

Grupos de anarquistas atacaram ontem na noite de 15 de março em Atenas várias sedes
do governo grego e diversos caixas automáticos. Os ataques não produziram mortos
ou feridos.

Os incidentes afetaram dois escritórios locais do partido no governo, Nova
Democracia, nos distritos de Zografou e Dafni. Os atacantes incendiaram as
dependências com bombas caseiras que arremessaram contra as janelas. Pouco depois,
um escritório do Seguro Social em Katio Patissia também foi atacado e, por último,
também foram incendiados três caixas automáticos do banco ATM.

Estes tipos de ataques foram especialmente freqüentes em meses recentes e estão
ligados a grupos anarquistas e aos protestos de estudantes contra as reformas
educacionais que planeja o governo.

As manifestações coincidiram com a visita do presidente russo, Vladimir
Putin, que foi a Atenas assinar a construção de um oleoduto que abastecerá a
Europa. A polícia colocou em prática fortes medidas de segurança ante a visita do
mandatário russo e, em paralelo, ocorreram duros choques entre anarquistas e
agentes da polícia em Tessalônica, no norte de Atenas.



Um pequeno grupo de anarquistas enfrenta a polícia de choque no centro de Atenas

Um grupo de jovens anarquistas enfrentou a polícia de choque no centro de Atenas, Grécia, na manhã de domingo, 18 de março, arremessando pedras e coquetéis molotov numa ação contra uma livraria dirigida por um político da extrema direita.

Dois agentes da polícia ficaram feridos, mas ninguém foi preso durante os enfrentamentos que aconteceram nas imediações do bairro de Exarjia.

A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os cerca de 30 jovens que atacaram a livraria de um dos principais membros do partido de extrema direita LAOS, Georgiadis de Adonis.


fotos e imagens das manifestações recentes:

Fotos: http://www.resistance2003.gr/en/gallery/gallery.php?id=71
Vídeo: http://www.babylonia.gr/video_download.php?id=30

Mais fotos em [entrar na "seção inglês" da primeira matéria da coluna do meio]: www.athens.indymedia.org

fonte: agencia de noticias anarquistas




Comments:

::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -4:37 PM



Terça-feira, Março 13, 2007 :::

Atualizações daninhas!! anarquia verde!!

o site ervadaninha.co.nr foi atualizado , novas traduções de textos e entrevistas e etc!
em breve atualizaremos a paagina de links.

as atualizaçoes?

Entrevista com Paul Shepard - por Derrick Jensen
Inimigo do Estado - entrevista com John Zerzan - por Derrick Jensen
Libertação através do movimento - Feral Faun
O Contínuo apelo do nacionalismo - Fredy Perlman
O caminho adiante - por John Zerzan
O movimento operário foi um movimento pelo trabalho
A civilização é retrocesso, o primitivo é avançado! - Green Anarchist
O Moderno anti-mundo - John Zerzan
Divisão de trabalho - Zerzan
Sociedade - Zerzan
Niceism (agradavel-smo, simpatismo) - Zerzan
Tecnologia - Zerzan
Onde foi parar nossa tribo? - janos Biro
Passe livre para a reprodução do cotidiano? (critica sobre o mov. passe livre) - gorro verde

é isso , visitem o site boa leitura e prática!

http://ervadaninha.co.nr - ervaadaninha@riseup.net

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Acessem o zine Resistência verde #1 - Anarquia-verde - Freeganismo!!!
contato: acaso@riseup.net

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em breve mais algumas atualizações...

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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -10:56 AM






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