Domingo, Setembro 28, 2008 :::
Nomadismo Feral
Nota: Nos pontos a seguir vou expor argumentos para compreendermos a importância da mobilidade em todos os aspectos da vida humana, seja em
relação a nossa saúde, seja em relação ao como morar.
A o mobilidade nômade é um ponto de vista natural, nos possibilita entender e embarcar no fluxo natural.
O sedentarismo turva nossa visão da existência, nos fornece uma ilusão, nos separa da natureza em benefício de uma ilusão de domínio.
vivemos em um mundo doente (civilização) devido a esta persistente tentativa de controle do natural. E isto está devastando a muitos e a
tudo.
'Nomadismo feral' se trata da mobilidade no retorno a uma vida natural, em oposição a civilização, em oposição as tentativas de controle. Em
oposição a ilusão de controle. o Controle é uma ilusão.
- Qual animal em estado selvagem é sedentário? Qual partícula da matéria vai ocupar eternamente o mesmo espaço?
- A mobilidade é um aspecto da natureza, um aspecto como a reprodução ou alimentação.
- A vida livre e natural é constante movimento. Mas, existe a tentativa de levarmos uma vida sedentária. Uma vida ausente de movimento.
vivendo em oposição a vida livre.
-Tentando viver - Digo tentando porque de fato nunca irão conseguir
Pois, mesmo numa vida sedentária e estática o movimento ainda existe (e é este movimento que a tentativa domesticadora tenta exercer
controle). Uma vida sedentária necessita que as coisas sejam estáveis.
Mas algo que as "forças" domesticadoras nunca conseguirão controlar é o fato de que as coisas acontecem.
- Vida sedentária é uma constante de frustrações, enfermidades e sofrimentos devido a necessidade de que as coisas estejam estáticas e
controladas, mas elas nunca estão.
- A mobilidade ensina o fluir natural.
O sedentarismo ensina a incessante e frustrada tentativa de controle
- Domesticação: Controle, manipulação (que pode tanto se dispor da violência física como da violência psicologia, ou manipulação sutil de
comportamento visando benefícios de uma espécie ou grupo) indução de comportamentos culturais, criação de cultura, rituais, hierarquia,
divisão de trabalho. eliminação de espécies não domesticadas para beneficio da domesticação de outra (matar lobos para proteger o gado).
- Cultura: Atrofia dos sentidos. uma bolha virtual que tem englobado a espécie humana, mediando-a com o mundo natural através dos
símbolos (linguagem, números, tempo, tecnologia). Muitas vezes confundida com 'costume'. mas se diferem em suas bases, pois cultura
significa cultivo. Cultivo remete a domesticação, controle, exercício contínuo do controle, padronização de comportamento e respostas.
- Hábitos e costumes: Costumes são respostas a situações especificas. Geralmente os castores fazem a mesma coisas em diversos lugares
diferentes, por exemplo, constroem "cabanas em rios". E certamente cada grupo de castores, em cada área, cada rio específico,
lidam de uma maneira peculiar àquele rio e arvores e tudo mais ao redor. eles não cultivam este habito, simplesmente vivem, e no fluir de
suas vidas certas atitudes são necessárias, e isso não é uma questão de cultivo de comportamento. Não é uma questão de criar cultura para
viver.
-Feral: Selvagem, ou existente em um estado natural, assim como ocorre com animais ou plantas; o que foi revertido da domesticação ao estado
selvagem.
- Nomadismo feral é uma ruptura total com a domesticação.
- Ser feral envolve a pratica da mobilidade nômade.Nomadismo feral é sobre a mobilidade no processo de se tornar feral
- Nomadismo ou a 'mobilidade natural' não significa incessante movimento de lugar para lugar. Nomadismo é a atmosfera da mobilidade, mesmo
quando em repouso. é a recusa da permanência. A recusa de construir cultura.
- Movimento e repouso se alternam incessantemente.
- Auto critica anarquista - Praticas de controle, posse, permanência, producionismo, comercio, divisão de trabalho. controle de um espaço
físico. Iniciativas anarquistas que se baseiam em algumas dessas praticas colaboram mais com a reprodução da vida domesticada do que com a
liberdade.
- Nomadismo feral é sobre re-conexão com a natureza. Um nomadismo de cidade em cidade (nomadismo urbano, reprodução do urbanismo como
organização social) não estimula e compromete seriamente o processo de nos tornarmos ferais.
- as relações em meios urbanos são relações de dependência e mediações. Numa vida não urbana, em meio a natureza temos relações de autonomia e
experiência direta.
- O nomadismo feral visa a descentralização. O foco é a distancia dos centros e aglomerados urbanos. A urbanidade ensina e fornece apenas
dependência, vicio, rotina,trabalho, contaminações, ruído, estética atordoante e homogênea.
- Nomadismo feral é sobre o abandono da cidade.
- Se tornar feral é sobre anarquia.Anarquia é sobre a vida livre.Se tornar feral é se tornar livre.
- Romper com a domesticação é romper como medo do amanha. Romper com a dominação é abraçar a confiança. A vida livre é romper com o medo da
morte.
- Medo da morte tem sua origem no cultivo do controle de situações, o cultivo do permanente. O medo da morte é o medo da transformação. Com o
cultivo do permanente surge o medo do fim.
- Medo da morte não deve ser confundido com o impulso de defesa da integridade física, o que todos os seres vivos tem.
- Quando se vive controlando não participamos do fluir natural, e com isso desaprendermos que 'morte' é transformação e não fim.
- Não me cabe e não me interessa falar sobre como é a vida ou se tem vida após o que tem sido chamado de morte. O fato é que a vida está
presente em todas as manifestações físicas.
Moléculas de hidrogênio gerando moléculas de Helio no centro das estrelas ou moléculas de hidrogênio interagindo com moléculas de oxigênio
para formar água é um fenômeno cheio de vida e movimento. No mundo físico tudo se transforma, tudo flui. Não existe morte. Não existe tempo.
Não existe amanha.
- hipótese 1
Amigos se juntam compram ou alugam uma propriedade casa ( aluguel = tipo de vampirismo explicito) com isso dividem obrigações cotidianas e
pontuais baseada em calendários, noção de tempo, rotina, cobrança e expectativa de uma situação específica, controle de movimento para
garantir uma situação específica. Tensão, os desentendimentos têm muitas chances de tomar conta. O desfrutar da convivência de uma amizade
não existe, se existe é seriamente limitada. Existe apenas uma companhia na miséria.
Amigos em tal experiência geralmente tendem a romper em desentendimentos.
-hipotese2
Amigos se juntam e vão viajar. buscam uma re-conexão com o mundo natural, com um modo natural e livre de viver. Dividem camaradagem,
conhecimentos, descobertas, confiança, afinidades, desafios e satisfação.
Amigos em tal experiência se aproximam e aprofundam seus laços de amizade.
- Nomadismo feral é sobre autonomia. A mobilidade nômade requer e estimula a autonomia. A vida domesticada e sedentária requer e estimula a
dependência.
- Auto critica anarquista - Construir autonomia sem aspectos de uma mobilidade nômade resulta em efeitos colaterais do sedentarismo e da
territorização. A construção da autonomia que não ataca a propriedade e/ou se baseia na posse e controle de um determinado local, nada mais é
do que a criação de um pequeno reino.
- As formas de mobilidade são infinitas assim como são infinitas as formas em que a natureza se manifesta
- O nomadismo feral recusa e mina toda relação de domínio, recusa totalmente a domesticação. Todas as outras espécies são tidas como suas
iguais. Uma visão de mundo onde outra espécie ou elemento é visto como inferior, resulta na divisao, hierarquização e domesticação da própria
espécie (humana).
- Se tornar feral nos faz entender que não existe hierarquia no mundo natural.
- Se um animal de outra espécie depende de seus cuidados ( animais domesticados), pense nele como seu ultimo...
A domesticação limita a liberdade e autonomia de ambos, do domesticado e do domesticador. Ao dar impulso a roda da domesticação se perpetua
a mesma e todos os seus efeitos.
- Sedentarismo/domesticação - é a redução dos relacionamentos com as espécies.
- Nomadismo feral significa comunicação com todas as espécies.
- o nomadismo feral , enfrenta uma delicada situação. A civilização tem conseguido perpetuar a domesticação com novas maneiras de controlar
o espaço (com a ajuda da imposição do tempo ).As propriedades privadas (da pequena casa ao latifúndio; propriedades estatais, do prédio de
prefeitura a mega hidrelétricas. Tentam criar um mundo totalmente cercado.
O desafio nômade feral é atravessar através do espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos sistemas de
controle.
- o nomadismo enfrenta uma outra delicada situação. a civilização tem conseguido perpetuar a domesticação porque se perpetua a ilusão de
tempo. Pratica-se o cultivo do tempo. Temos como exemplo qualquer tipo de calendário adotado. Calendários perpetuam controle através da
ilusão de tempo (Padronizando e manipulando fluxos através de ciclos baseados em datas criadas; dividindo a existência entre passado,
presente e futuro). o Desafio nômade é não dar impulso ao tempo.
- Mas o nômade feral tem uma importante estratégia de descanso.
Áreas consideradas pelos domesticados de difícil acesso, áreas com dificuldades naturais.
Que são recomendáveis locais de acampamento para um deleite estético.
- a domesticação é antes de tudo auto-domesticação - o ciclo da domesticação é também um ciclo de construção de gaiolas, e cada humano
domesticado constrói a sua. O nomadismo feral não coloca a mão nessa roda. Pois essa é lógica da permanência. Não construa casas, acampe.
- "Não construa casas, acampe" - o acampamento é a habitação natural humana. Nos permite uma constante conexão com a terra. Não ha blocos de
cimento nos aprisionando.
O acampamento e suas habitações, construídos com materiais naturais de acesso livre a todos, simples e leves, porém firmes e aconchegantes,
nos protege do frio de um vento noturno mas não nos priva da circulação do ar. As praticas que um acampamento favorece são a do
companheirismo, e do respeito a individualidade.
- Acampar em grupo é a dinâmica do compartilhar. Acumular em acampamentos pode significar a dispersão do grupo, mas inevitavelmente significa
a solidão de quem acumula.
- Outro desafio nômade - O Estado não concorda que discorde dele. O nômade feral não vive nesta sociedade, ele não colabora com a reprodução
do sistema: voto, serviço militar, documentação, escolarização).O nômade feral se opõe a esta sociedade, logo não compartilha das atividades
desta. Novamente o desafio nômade feral é atravessar o espaço. De maneira que garanta sua integridade física e espiritual em oposição aos
sistemas de controle.
- O controle do movimento é fundamental para o Estado, seja para manter o "corpo físico" ou para garantir que acreditem em fronteiras.
O feral atravessa o espaço sem reconhecer fronteiras, igual ao todos os pássaros, que igualmente "não segam e nem acumulam em celeiros".
- A criança é a natureza intacta, e intacta é a continuação da natureza. A criança é fonte de inspiração para abandonarmos a nossa
domesticação. Por este motivo tem sido o alvo da domesticação. A escolarição é um exemplo de violência, a escolarização obrigatória é um
exemplo de violência explicita.
- Quando solicitado, O feral Compartilha de igual pra igual com a criança as lições de sua experiência individual.
- a domesticação precisa de mais crianças domesticadas. A natureza e a cura contra a domesticação precisa de crianças livres.
- Não ignoramos o fator 'agora'. Como seria ao nômade feral ter filhos agora? eu que aqui escrevo estas palavras não tenho respostas para
isso ( eu por enquanto não tenho filhos), assim como não há modelos para o nomadismo feral (algo inútil de se estabelecer: modelos).
Respostas pra tais questões serão mais fáceis de achar na pratica, e urge de serem compartilhadas.
- Sabemos como evitar a concepção por meios naturais e saudáveis. Sabemos como e quando ter filhos.
- O nomadismo feral rejeita a idéia de controle, e o controle de natalidade como reposta a atual superpopulação humana
é secar a roupa mas guarda-la no rio. Se existe uma superpopulação humana e que compromete o equilíbrio ambiental é devido a revolução
agrícola e o sedentarismo.
- A humanidade antes da agricultura (ou sem agricultura) vivia em perfeito equilíbrio com as demais espécies e com uma estável e equilibrada
população. antes da agricultura fomos uma espécie estável. o crescimento populacional humana é conseqüência direta da domesticação. conter um
desequilíbrio jogando peso pro lado errado, dando reposta ao crescimento populacional baseado no controle de natalidade, é tão inútil quanto
enxugar o chão mas não concertar a goteira.
- Se hoje a humanidade esta superlotando o planeta é devido a um estilo de vida especifico. Se queres uma estratégia para conter o
crescimento populacional, voltemos a ser nômades e naturais como fomos antes da domesticação.
- O sedentarismo não só favorece o super-crescimento populacional, o surgimento da autoridade, da divisão social entre os humanos (entre
aqueles que controlam e os que são controlados). O sedentarismo favorece em igual proporção o enfraquecimento do corpo e as restrições da
mente. O sedentarismo favorece o enfraquecimento da alimentação e a limitação do movimento.
- Uma conseqüência da mobilidade feral é a alimentação natural. A alimentação natural nos conecta a terra. pois é o que nasce naturalmente ao
nosso redor.
- a revolução agrícola e a revolução industrial nos expôs a uma infinidade de enfermidades devido a profundas alterações no nosso modo de
vida. Nos corrompe de uma vida selvagem e livre para uma vida domesticada e restrita. Alterações que se refletem nitidamente em nossa
alimentação.
-A Revolução industrial acentuou os efeitos da revolução agrícola. Acentuou ainda mais a divisão de trabalho, a dependência de
especialistas, o enfraquecimento do corpo e o empobrecimento da mente, a restrição do movimento. Hoje não apenas ficamos limitados a uma vila
agrícola com uma única tarefa, ficamos condicionados a paredes, geralmente dentro de quatro paredes olhando para imagens numa tela iluminada,
e para se locomover, usa-se uma cápsula de metal.
- A revolução agrícola, a revolução industrial, a sociedade industrial são a separação definitiva entre espécie humana e mundo natural.
- a revolução agrícola (a soma da domesticação, divisão de trabalho, sedentarismo e cultura) acrescentou em nossa dieta uma maior proporção
de alimentos cozidos, de grãos, leite de outras espécies, um superconsumo de derivados animais.
Isto significa um super aumento no consumo de proteínas de origem animal, gorduras, carboidratos e açucares. A nossa alimentação ficou pobre
em vitaminas, enzimas, minerais e outras proteínas, ricos em alimentos naturais como frutas, folhagens e raízes. Nos privou da alimentação
integral, dando origem a problemas na dentição (caries, mas formações), alergias, obesidade, inúmeras outras enfermidades que atingem desde
os ossos até órgãos, nervos, músculos e pele.
- A revolução agrícola nos entupiu de cereais mas nos privou de inúmeras frutas.
- A revolução industrial ( a soma da domesticação, divisão de trabalho, cultura e tecnologia) por sua vez acrescenta na dieta humana o
consumo de alimentos sintéticos, processados, refinados, imersos em conservantes, coadjuvantes, estabilizantes, aromatizantes, corantes.
- A alimentação industrial juntamente com o ambiente urbano e hiper-tecnológico potencializa as enfermidades criados com a revolução agrícola
e nos acrescenta ainda mais novas enfermidades ainda mais crônicas. Neste sentido, é útil lembrar que as doenças tidas como incuráveis, por
exemplo, são resultado de uma soma de fatores do estilo de vida sedentario-urbano-industrial, pouco tem a ver com o resultado da ação de um
vírus. Um corpo debilitado é um corpo fértil para enfermidades.
- O retorno a um alimentação natural, livre de todos os aditivos industriais e do empobrecimento nutricional da agricultura é fonte de cura e
de vitalidade, fonte de vigor físico e espiritual.
- o feral não pratica a agricultura, mas eles sabe que da semente vem o fruto e o abrigo. o nômade feral estimula isso. Por onde passa sua
pegada é fértil.
- O nômade feral necessita de uma coisa: não ter nada. Nada que comprometa a sua mobilidade.
- O nômade feral necessita de uma segunda coisa: necessita aprender habilidades da Terra.
Fazer corda, fogo, tecer fios, tecidos, filtrar água, montar abrigos, confeccionar cestos, confeccionar ferramentas cortantes, ferramentas
macerantes, cerâmicas, apanhadores de frutas, canoas, confeccionar come madeiras, pedras.
aprender tais habilidades significa autonomia , significa retornar ao modo de vida natural, significa conhecer e respeitar como igual o lugar
e as espécies com quem habita
- Podemos atacar a civilização, podemos abandonar a civilização. O que define ataque? O que define abandono?
- Há situações em que a domesticação precisa ser atacada, mas inevitavelmente em todas as situações a domesticação deve ser abandonada.
- A domesticação é uma vaidade humana. É um exemplo de arrogância. A arrogância de subir num pedestal inexistente e querer ditar as regras
neste planeta, este é o significado de civilização.
- Nosso maior ataque a essa arrogância é recusar continuar com essa loucura e descer deste fantasioso pedestal - Abandonar a domesticação,
abandonar a civilização, abandonar o controle , fluir novamente, caminhar suavemente neste planeta e voltar a falar com os animais.
Comments:
::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -11:38 PM
Terça-feira, Setembro 16, 2008 :::
"A dominação de um grupo sobre outro, a sociedade de classes, se origina na sedentarização do ser humano. Ainda vivemos com os mitos gerados na época dessa fixação em alguma parte de nossa mãe-terra: mitos da terra natal, do estrangeiro; mitos que limitam a visão do mundo, que mutilam. É óbvio que a reação não pode ser um retorno a um nomadismo do tipo praticado por nossos distantes ancestrais, que eram coletores. Homens e mulheres adquirirão um novo modo de ser, para além do nomadismo e do sedentarismo. Uma vida sedentária constituída pela inatividade corporal é a causa radical de quase todas as doenças somáticas e psíquicas dos atuais seres humanos. Uma vida ativa e não-fixa curará todos estes problemas sem medicina nem psiquiatria."
Jacques Camatte
Comments:
::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:20 PM