Sábado, Dezembro 13, 2008 :::
Contra as atividades conduzidas
Fragmentação da vida: A idéia de que pelo fato de você não fazer música, não saber quais plantas são comestíveis ou não saber nadar não afeta o modo como você encherga a vida, ou seja, menor;
Fragmentação da vida é a idéia de que as diversas atividades humanas (como fazer musica e nadar) não se relacionam.
É a existência dos especialistas, a dependencia de especialistas, a divisão de trabalho.
"Então um disse pro outro:
-vamos fazer isso? vamos?
-sim, vamos."
Creio que as inicitivas livres se iniciam ai, e nada mais. O decorrer é expontâneo, sério e divertido.
A dominação tem uma lógica, ela nao têm dono. É muito obvio que o estado, a escola e tantas outras instituições sao fonte do exercicio do controle, da domesticação. Mas a dominação não tem dono, é um "espirito" que tem habitado a espécie humana. Um espirito que sobrevive na medida que reproduzimos seus direcionmentos. Isso é dizer que as raizes e o alimento da dominação se encontram mesmo em práticas ou atividades de proposta libertarias.
Pedagogia, palavra grega para condução de crianças.
Aqui a palavra condução oferece um risco de engano quanto ao ensinar.
Ensinar não é conduzir, ensinar é compartilhar.
Sim, você pode conduzir crianças até um rio para que aprendam a nadar.
Mas a prática de qualqer pedagogia é a permanente intromissão de um especialista.
É a permanente fragmentação do contínuo em momentos.
A tentativa de tentar unir domesticação com liberdade é mesmo persistente.
É como dizer Estado-libertário, feira-libertária, produção-de-excedente-libertário, agricultura-libertária, terapia-libertária e pedagogia-libertária.
Não interessa a medida que os instrutores-condutores-terapeutas-gurus permitem a inicitiva livre e expontanea de um individuo ou de um grupo, a questao é a existência de instrutores-terapeutas-condutores e gurus.
Nas inicitivas de reprodução do cotidiano, como a pedagogia-terapia-libertaria ou seitas existe sim momentos em que individuos descobrem novas possibilidades, se percebem e se alegrem com isso. Mas estes "momentos" tambem surgem em supermercados e em salas de aula. E entâo você lembra que é os supermercados e as escolas que devem ser abandonados, e também os terapeutas, os pedagogos e as seitas.
Viver nossa individualidade, viver a descoberta de novas possibilidades e sentir alegria de estar vivo não é algo dedicado apenas para alguns momentos, é sim algo para ser experimentado continuamente. Nós anarquistas não estamos em buscas de momentos livres, estamos em busca de uma continuidade livre.
Há um mundo cada vez mais monocromatico roubando nossa vida e a fragmentando.
E para que nossa liberdade seja contínua é de forma contínua que devemos experimentá-la.
"Ruinas são playgrounds, seja Zapoteca ou Maya, Egipcia ou moderna.
Ao invés de preserva-las, por que não interagirmos com elas até transformá-las em nada, e esquecer as culturas que as criaram? A memória da cultura é a preservação da cultura - e cultura é meramente o limite sagrado colocado acima da criatividade e da interação. Insurgentes destroem limites sagrados. "
Feral Faun
O cotidiano da domesticação, a obediência diária à rigides e ao sistema devem ser rompida continuamente em nossas vidas.
Enfrenter e romper amarras e nadarmos livremente, apenas em oras especificas e permitidas?
Enquanto reservamos para nossa liberdade apenas alguns momentos a fragmentação continuará, e o que melhor que vamos saber fazer é aprender economizar as coisas, e cairmos novamente na armadilha da economia, da politica, da cultura e do relógio.
"A chuva estava caindo, era um maravilhoso evento
mas o mundo e a chuva não são pequenos
e o muro da escola era só mais um muro."
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::: Erva Daninha - ervadaninha@riseup.net -9:25 PM